Fatores de Risco do Câncer de Boca

Cerca de 90% das pessoas com câncer de boca fumam cigarros, cachimbos, charutos ou mascam fumo e o risco de desenvolver esses cânceres aumenta de acordo com a quantidade de fumo consumida. Ou seja, quanto mais a pessoa fuma, maior o risco.
Fumantes têm 6 a 16 vezes mais chances de apresentar esses cânceres que os não-fumantes. A fumaça do cigarro, cachimbo ou charuto pode causar câncer em qualquer parte da boca ou garganta, além da laringe, pulmões, esôfago, rins, bexiga e vários outros órgãos. Além disso, fumar cachimbo aumenta consideravelmente o risco de câncer no lábio, no local que toca a haste do cachimbo. Mascar fumo está associado ao aparecimento de câncer nas bochechas, gengivas e na parte interna do lábio. Mascar fumo aumenta em 50 vezes o risco de aparecimento de câncer nesses locais. Geralmente, o câncer associado ao hábito de mascar fumo aparece como leucoplasia ou eritroplasia. O fumo passivo também é fator de risco.

O consumo de bebidas alcoólicas aumenta enormemente o risco de um fumante desenvolver câncer de boca. Entre 75% e 80% dos pacientes com câncer de boca bebem muito. Esses cânceres são 6 vezes mais comuns entre consumidores de bebidas alcoólicas do que entre pessoas que não bebem. Pessoas que bebem e fumam têm risco maior de câncer. É a combinação de fumo e bebida alcoólica que é a mais fatal.

Mais de 30% dos pacientes com câncer no lábio trabalham ao ar livre em funções associadas à prolongada exposição aos raios solares.

Acredita-se que o uso de dentaduras, pontes ou coroas que não estão perfeitamente ajustadas seja um fator de risco para o câncer de boca. Mas algumas pesquisas mostram que não há diferenças entre pessoas com próteses dentárias e as que não usam em relação à incidência de câncer de boca. Como as dentaduras ou próteses mal-ajustadas tendem a reter agentes causadores de câncer, como partículas de tabaco e álcool, é recomendável que essas próteses sejam reavaliadas pelo dentista periodicamente. Quem usa dentaduras precisa removê-las todas as noites e mantê-las limpas.

Alguns estudos sugeriam que o uso contínuo de antissépticos bucais com alto conteúdo de álcool está associado ao aumento de risco de câncer de boca e de garganta. Algumas pesquisas recentes, porém, indicaram que essa associação pode ser falsa, já que fumantes e consumidores de bebidas alcoólicas (que já têm alto risco) usam esses produtos com freqüência bem maior que as pessoas que não fumam nem bebem.

Perguntas Frequentes

CÂNCER DE BOCA

A boca é uma estrutura nobre do corpo humano que participa de importantes processos orgânicos como a respiração, a mastigação, a fala e a alimentação. Composta por uma grande diversidade de células e tecidos, é suscetível ao surgimento de diferentes tipos de tumores benignos e malignos. No entanto, mais de 90% dos casos de câncer na região são carcinomas espinocelulares ou ainda carcinomas epidermóides. A incidência da doença no Brasil vem diminuindo, mas ainda é alta, por isso, estar atento aos principais sintomas é fundamental.

Na boca os sinais e sintomas podem incluir manchas nos lábios ou bochechas, caroços na região, dor, amolecimento de dentes, dormência da língua, feridas bucais que não cicatrizam, sangramento, áreas vermelhas (eritroplasia) ou esbranquiçadas (leucoplasia) nas gengivas, língua ou mucosa. Essas lesões requerem uma atenção especial, pois podem evoluir para câncer se não tratadas.

Leucoplasia, Eritroplasia e Displasia

Leucoplasia e eritroplasia são termos que descrevem áreas anormais na boca. A leucoplasia é uma área esbranquiçada. A eritroplasia é uma área avermelhada, levemente elevada, geralmente assintomática, que não sai quando raspa-se sobre a lesão. Na maior parte dos casos, o achado é incidental, durante o exame clínico realizado pelo cirurgião dentista.

A gravidade da leucoplasia ou da eritroplasia só pode ser determinada por um exame clínico complementado por uma biópsia, ou seja, a análise microscópica de uma amostra de tecido.

Essas áreas esbranquiçadas ou avermelhadas podem ser cancerosas ou uma lesão cancerizável chamada displasia pode estar presente. Em muitos casos, particularmente de leucoplasia, o achado pode descartar a possibilidade de câncer. Há formas brandas, moderadas ou severas de displasia, que se distinguem umas das outras pelo quanto parecem anormais ao microscópio.

Na maioria das vezes, a leucoplasia é uma condição benigna que raramente evolui para câncer. Cerca de 25% das leucoplasias, porém, ou são cancerosas quando detectadas ou envolvem alterações pré-cancerosas que evoluem para câncer em mais ou menos 10 anos se não forem tratadas. Geralmente, a eritroplasia é mais séria e 70% a 95% dessas lesões são cancerosas à época da biópsia inicial ou vão evoluir para câncer.

Pode ser necessário também medir o conteúdo de DNA da leucoplasia ou eritroplasia. Se o conteúdo de DNA é normal, a chance de desenvolver câncer é pequena, embora isso possa ocorrer. Mas, se a quantidade de DNA é anormal – geralmente DNA demais – a possibilidade do câncer se desenvolver é alta.

Carcinoma Espinocelular

Mais de 90% dos cânceres de boca são carcinomas espinocelulares também chamados de carcinomas epidermóides. A forma inicial do carcinoma espinocelular é chamada de carcinoma in situ, isto é, o câncer só está presente nas células da camada de revestimento, chamada de epitélio. Um carcinoma espinocelular invasivo significa que as células do câncer penetraram em camadas mais profundas da cavidade bucal.

Os locais mais comuns de câncer na boca são a língua (26%) e o lábio (23%), principalmente o inferior. Outros 16% são encontrados no soalho da boca e 11% nas glândulas salivares menores. O restante é encontrado nas gengivas e outros locais. Esses cânceres podem ocorrer em pessoas jovens, mas são raros em crianças. Cerca de um terço dos pacientes têm menos de 55 anos.

Causas do Câncer de Boca

O fumo e o álcool danificam as células do revestimento da boca e garganta, que têm de se multiplicar mais depressa para repor as outras. Muitas das substâncias químicas presentes no tabaco causam danos (mutações) no DNA, a molécula que contém as instruções para reparo e divisão da célula.

Os cientistas não estão certos se o álcool danifica o DNA diretamente, mas mostraram que o álcool aumenta a penetração na célula de compostos que causam alterações no DNA. É por essa razão que a combinação de fumo e bebida alcoólica causa mais danos ao DNA que o tabaco sozinho. Isso faz com que certos trechos de DNA – por exemplo, os que controlam o início e o fim do processo de divisão celular – não funcionem direito. Então, células anormais começam a proliferar e se acumular, formando um tumor. Há alguns outros danos adicionais: as células podem começar a se disseminar pelos tecidos próximos e para órgãos distantes.

Quais as chances de cura do câncer bucal?

Quanto mais cedo for descoberto e adequadamente tratado, maior será a chance de cura e sobrevida do paciente. A expectativa de cura varia de 85% a 100% quando o câncer é diagnosticado e tratado na fase inicial.

Como é realizado o tratamento do câncer bucal?

A cirurgia e ou a radioterapia são, isolada ou associadamente, os métodos terapêuticos aplicáveis ao câncer de boca. Para lesões iniciais, tanto a cirurgia quanto a radioterapia possuí bons resultados e sua indicação vai depender da localização do tumor e das alterações funcionais provocadas pelo tratamento.

As lesões iniciais são aquelas restritas ao seu local de origem e que não apresentam disseminação para gânglios linfáticos do pescoço ou para outros órgãos. Em casos mais avançados, a quimioterapia entra para ajudar nos resultados do tratamento.

A quimioterapia associada à radioterapia é empregada nos casos mais avançados, quando a cirurgia não é possível. O prognóstico, nestes casos, é extremamente grave, tendo em vista a impossibilidade de se controlar totalmente as lesões extensas.

O QUE SÃO TUMORES ODONTOGÊNICOS?

Tumores odontogênicos são tumores exclusivos dos ossos maxilares (maxila e mandíbula) e ocasionalmente da gengiva, que se originam dos tecidos associados ao dente em desenvolvimento.

Tese de mestrado pela USP do Dr. Luiz Eduardo Charles Pagotto sobre Tumores Odontogênicos: 

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/23/23141/tde-19012016-160345/es.php

Os tumores odontogênicos apresentam sintomas?

Normalmente esses tumores não costumam apresentar sintomas, apesar de poderem causar expansão dos ossos maxilares, movimentação dentária, reabsorção de raiz do dente vizinho, perda óssea e dor.

Todos os tumores odontogênicos são benignos?

Não. Os tumores odontogênicos podem ser benignos ou malignos, sendo em sua maior parte (99%) benignos. Porém, alguns tumores odontogênicos benignos possuem comportamento agressivo e alto potencial de recidiva.

Como é feito o diagnóstico dos tumores odontogênicos?

O diagnóstico é feito através do exame clínico, de imagem (radiografias,  tomografia computadorizada e ou ressonância magnética) e biópsia.

Radiografia panorâmica de um tumor odontogênico – Ameloblastoma – localizado em região de ângulo e ramo mandibular direito.

 

Por que é importante fazer a biópsia?

A bióspia é fundamental no diagnóstico e consequentemente na escolha do tratamento do tumor.

Como é o tratamento dos tumores odontogênicos?

O tratamento dos tumores odontogênicos é cirúrgico com remoção total do tumor. Radioterapia ou quimioterapia podem ser indicadas nos casos de tumores odontogênicos malignos. Pode ser necessária a reconstrução do tecido ósseo de onde foi retirado o tumor, com enxertos ósseos e ou substitutos ósseos.

Entre em contato

Preencha o formulário e entraremos
em contato com você em  breve
  • Este campo é para fins de validação e não deve ser alterado.